Vitamin patches: a tendência de suplementos em adesivos que cresce no wellness.

Tendência

A vitamina que você veste

Suplementos em adesivos são o novo hit de Seul

Conheça a categoria que está em expansão na Coreia do Sul e no mundo e que pode movimentar até R$ 3,7 bilhões até 20311.

Depois dos adesivos para acne, uma nova categoria começa a ganhar atenção no universo do wellness na Coreia do Sul: suplementos aplicados diretamente sobre a pele.

Sono, energia, vitaminas, antioxidantes, relaxamento e até produtos associados ao controle de peso começam a aparecer em formato de patches.

Em vez de engolir um comprimido ou consumir uma gummy, a proposta é aplicar o adesivo sobre a pele e seguir a rotina.

Mais do que uma mudança de formato, esse movimento revela uma transformação maior no mercado de bem-estar, em que o cuidado com a saúde passa a ser cada vez mais simples, visível, personalizado e integrado ao estilo de vida.

Suplementos em adesivos no universo do wellness
Suplementos em adesivos e a nova onda do K-Wellness

Do suplemento ao wearable

A lógica não é tão diferente do que já aconteceu em outras categorias.

Smartwatches monitoram sono e atividade física, anéis acompanham indicadores corporais e aplicativos ajudam a analisar pele, alimentação e exercícios. Agora, os suplementos começam a entrar nesse mesmo ecossistema de wearables.

Na Coreia do Sul, marcas como Ring Tap e Heb vêm explorando adesivos com glutationa, magnésio, vitaminas, melatonina e outros ingredientes, enquanto empresas nos Estados Unidos, na Austrália e em outros mercados desenvolvem linhas segmentadas por ocasião e necessidade, como energia, sono, relaxamento, recuperação ou equilíbrio.

Cuidar da saúde também vira autoexpressão

Tomar um suplemento sempre foi um comportamento essencialmente privado.

O comprimido fica dentro do armário, a vitamina é tomada pela manhã e o ritual praticamente desaparece depois de realizado.

O patch faz o movimento contrário porque transforma uma ação invisível em algo que pode ser visto.

Quando esse adesivo recebe cores, formas, ilustrações e um design pensado para aparecer, ele começa a se afastar da linguagem farmacêutica tradicional e se aproxima da lógica de um acessório.

É justamente aí que a categoria se conecta a um movimento maior do wellness contemporâneo, no qual a saúde também passa a funcionar como uma forma de identidade e autoexpressão.

Esse movimento aparece de forma muito clara na Barrière, que desenvolve patches que lembram pequenas tatuagens e já criou uma colaboração com um estúdio de tatuagem do Brooklyn. A proposta deixa evidente que o produto não quer ocupar apenas o território do suplemento, mas também códigos de moda, estética e identidade corporal. A própria ELLE descreve esse movimento dentro da lógica das chamadas “vitaminas vestíveis”3.

Nesse contexto, o adesivo se posiciona quase como um cruzamento entre suplemento, skincare e wearable.

Vitamin patches e autoexpressão no wellness

Da Coreia para o Ocidente: as diferentes formas de construir a categoria vitamin patches

Algumas marcas ajudam a entender como esse mercado começa a se estruturar globalmente.

Coreia do Sul

Observa-se uma tentativa clara de afastar o produto da lógica de novidade e aproximá-lo de uma tecnologia de entrega de ciência - ativos, apoiada pela linguagem de testes, patentes e estudos de permeação.

Ring Tap

Trabalha com adesivos de glutationa combinada a vitamina C e niacinamida. Sua comunicação procura construir credibilidade por meio de pesquisas, testes de permeação da pele e desenvolvimento científico.

HEB

Organiza os produtos de acordo com diferentes momentos da rotina, como Energia, Festa, Boa Noite e Equilíbrio, e utiliza hidrocoloide de grau médico, tecnologia também conhecida por seu uso em patches para acne.

Estados Unidos

A construção da categoria ganha outros códigos. O produto não precisa ser apenas funcional. Ele pode ser desejável, colecionável, visualmente reconhecível e inserido em diferentes momentos da rotina.

Barrière

Transforma seus patches de vitaminas e adaptógenos em objetos que lembram tatuagens temporárias, usando linhas delicadas, elementos gráficos e formatos pensados para aparecer sobre a pele. Segundo a ELLE, a marca produz seus patches em laboratório com vitaminas micronizadas, e os produtos foram desenvolvidos para permanecer sobre a pele por várias horas3.

The Patch Brand & The Good Patch

A The Patch Brand organiza seu portfólio por necessidades e momentos, com opções voltadas para sono, foco, calma, libido e recuperação, enquanto a The Good Patch trabalha a categoria dentro de uma linguagem mais próxima do lifestyle e do wellness contemporâneo.

Nicole Simonato

"O que observamos são abordagens diferentes, mas que começam a convergir em dois territórios importantes: eficácia e tecnologia, de um lado, desejabilidade e experiência, do outro."

Nicole Simonato

Estrategista de negócio, marcas e produtos

Eficácia: suplementos transdérmicos realmente funcionam?

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A pele consegue absorver vitaminas e outros nutrientes?

A administração transdérmica não é uma tecnologia nova. A medicina utiliza há décadas adesivos capazes de liberar determinados medicamentos através da pele, como nicotina, estrogênio e escopolamina.

Portanto, o princípio funciona. O problema está em assumir que qualquer ingrediente pode ser entregue ao organismo dessa maneira.

A pele possui uma barreira extremamente eficiente. Moléculas menores e com determinadas características químicas conseguem atravessá-la com maior facilidade, enquanto outras apresentam muito mais dificuldade.

Em matéria publicada pela Cosmopolitan, a dermatologista coreana Lee Su-hyeon explica que substâncias de baixo peso molecular e com características lipossolúveis apresentam maior potencial de atravessar o estrato córneo, enquanto ingredientes de alto peso molecular ou muito solúveis em água podem enfrentar maior dificuldade de penetração2.

Por isso, não é possível avaliar todos os suplementos transdérmicos da mesma maneira. Além da composição, entram na equação concentração, formulação, tecnologia de liberação, tempo de contato e estrutura do próprio adesivo.

Ao mesmo tempo, existe uma razão prática para o interesse por novas formas de administração. EN destaca que suplementos orais podem apresentar limitações relacionadas ao sistema digestivo e que alguns também podem provocar desconfortos como náusea. Nesse contexto, os patches aparecem como uma alternativa entre comprimidos e métodos como injeções ou infusões3.

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O que a ciência já conseguiu comprovar?

Mas é justamente aqui que a evidência precisa ser analisada com cuidado.

Uma revisão publicada inicialmente em 2023 na Experimental Dermatology concluiu que a administração transdérmica de vitaminas apresenta potencial, mas também destacou a necessidade de mais dados clínicos, controle de qualidade e estudos sobre segurança de longo prazo. Ainda não está claro quanto de cada nutriente efetivamente chega ao organismo através da pele nem como esses produtos se comparam aos suplementos orais4.

Existe também algum sinal preliminar de eficácia. Um pequeno estudo de 2022, publicado no BMJ Nutrition, Prevention & Health , avaliou o uso diário de patches de vitamina D durante oito semanas e observou um aumento médio de 22% nos níveis da vitamina entre os participantes5.

O dado é interessante, mas ainda não é suficiente para generalizar a eficácia para toda a categoria.

Também existe uma limitação importante: as pesquisas independentes sobre muitos desses produtos continuam escassas.

Isso significa que existe uma tecnologia real por trás da administração transdérmica, mas isso não torna automaticamente comprovada toda promessa comercial feita pelas marcas.

A barreira de entrada não é apenas de mercado, é regulatória.

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Uma categoria que desafia os enquadramentos tradicionais

Nos Estados Unidos, a FDA diferencia suplementos alimentares de produtos transdérmicos justamente porque suplementos pressupõem ingestão. A Barrière, por exemplo, não comercializa seus patches como dietary supplements. A marca os apresenta como "transdermal vitamin patches" e constrói a categoria a partir da ideia de "wear your vitamins", aproximando suplementação, wellness e wearable36.

Essa distinção ajuda a entender por que o desenvolvimento dessa categoria não depende apenas de produto, branding e demanda. Existe também uma discussão sobre como classificá-la e quais alegações podem ser feitas.

O fato de uma discussão semelhante existir nos Estados Unidos mostra que não se trata apenas de uma particularidade brasileira. Estamos diante de uma categoria que começa a se desenvolver mais rapidamente do que os enquadramentos tradicionais usados para classificá-la.

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No Brasil, a questão começa antes do lançamento

No Brasil, o cenário dos vitamin patches ainda é bastante inicial. É possível encontrar produtos de marcas internacionais por meio de plataformas de importação e marketplaces, mas ainda não existe uma categoria local consolidada.

A regulamentação brasileira enquadra suplementos alimentares dentro da lógica de produtos destinados à ingestão oral7. Isso cria um desafio evidente quando a proposta de valor do produto está justamente na administração pela pele.

Em 2021, a KNIT lançou os chamados "Stickers Vitamínicos" e se apresentou como pioneira brasileira nesse segmento. A experiência, porém, terminou com a proibição dos produtos pela Anvisa. Entre os problemas apontados estava justamente o enquadramento como suplemento alimentar, já que, pela regulamentação brasileira, suplementos são produtos destinados à ingestão oral8.

Mais recentemente, a Groode passou a explorar uma proposta semelhante, mas adotando outra linguagem. A marca apresenta seu produto como um "adesivo transdérmico de bem-estar", com B12, D3, biotina e compostos vegetais, e informa que o projeto ainda está em validação, com fórmula, dosagem e enquadramento sanitário em definição9.

Essa diferença de linguagem não é apenas semântica. Ela expõe uma das principais questões para o desenvolvimento dessa categoria no país.

Então por que essa categoria merece atenção?

Mais do que uma mudança de formato, os vitamin patches revelam transformações maiores no mercado de wellness

Porque talvez o ponto mais interessante não esteja apenas no adesivo, mas na mudança de comportamento que ele representa.

01 Conveniência e simplificação do cuidado
02 Personalização por necessidade e momento
03 Saúde como autoexpressão
04 Integração entre suplemento, beauty e wearables
05 Tecnologia e evidência como fatores de credibilidade

Durante muito tempo, o wellness esteve associado ao esforço de lembrar do suplemento, organizar comprimidos, preparar bebidas e seguir protocolos. Agora, uma parte da indústria procura transformar esse cuidado em algo cada vez mais simples e incorporado ao cotidiano.

Colar na pele em vez do consumo oral tradicional resume bem essa lógica, que combina conveniência, design, personalização e tecnologia em um mesmo produto e, ao mesmo tempo, cria novas possibilidades de construção de marca.

Um suplemento deixa de precisar viver dentro de um pote escondido no armário e passa a poder ganhar linguagem visual, coleções, diferentes funções, momentos de consumo e até códigos de moda.

Depois das gummies transformarem vitaminas em uma experiência de consumo mais leve e desejável, os patches apontam para outro movimento: transformar o suplemento em algo que também se veste.

Talvez ainda seja cedo para saber quais ingredientes, tecnologias e modelos de negócio realmente vão consolidar essa categoria. Mas o comportamento por trás dela já revela bastante sobre os próximos movimentos do wellness.

A saúde está deixando de ser apenas algo que consumimos e passa, cada vez mais, a ser algo que monitoramos, incorporamos à rotina e mostramos.

Nicole Simonato

"Acompanhar movimentos como esse não significa necessariamente reproduzi-los. Significa entender o que eles revelam sobre novos comportamentos, tecnologias, modelos de produto e espaços de mercado, e avaliar onde existe uma oportunidade real para o negócio."

Nicole Simonato

Estrategista de negócio, marcas e produtos

Nicole Simonato

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Fontes

[1] KBV Research — Vitamin Patches Market Size Worth $714.96 million by 2031.

[2] Cosmopolitan — dermatologista coreana Lee Su-hyeon sobre absorção transdérmica. (não localizei a matéria específica da Cosmopolitan citada — o achado mais próximo com a mesma fala da Dra. Lee Su-hyeon está aqui; confirme se é essa ou passe o link exato.)

[3] ELLE — "This 'Tattoo' Delivers Vitamins—Here's How" (publicada originalmente na edição de maio/2025 da ELLE).

[4] Experimental Dermatology (2023) — Fan et al., "Recent advances in delivery of transdermal nutrients: A review".

[5] BMJ Nutrition, Prevention & Health (2022) — Jefferson & Borges, estudo-piloto sobre patches de vitamina D.

[6] FDA — Dietary Supplement Labeling Guide.

[7] Anvisa — marco regulatório de suplementos alimentares.

[8] Comunicação de risco — Anvisa, proibição dos Stickers Vitamínicos KNIT (RE nº 3.805/2021).

[9] Groode — adesivo transdérmico de bem-estar em validação regulatória. (sem site ou perfil oficial localizado — confirme o link.)

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