Varejo tradicional x digital: o que a Ri Happy ensina sobre experiência

ThinkLab · Varejo & Comportamento · Cases de Mercado

Da loja ao ecossistema

Em 2025, o e-commerce brasileiro faturou R$ 295,6 bilhões — 20% a mais do que em 2024 — e passou de 5,4% para 6,5% do faturamento total do varejo, a maior participação da série histórica. No mesmo período, o varejo brasileiro como um todo cresceu apenas 1,6% em volume1.


Tese central

A pressão está posta: varejistas tradicionais estão perdendo vendas para e-commerces e marketplaces nascidos prontos para esse jogo. Restam dois caminhos — entrar de verdade no digital, ou revisar a principal vantagem que o físico ainda tem: a experiência presencial e o relacionamento direto com o cliente. Quem faz melhor está aprendendo a fazer os dois.

Larissa Farias

"Uma das maiores dores que vemos no varejo hoje são justamente os desafios enfrentados por negócios tradicionais e redes de lojas físicas para atuar no digital — seja no e-commerce, no marketing digital ou na concorrência com marketplaces."

Larissa Farias

Coordenadora de Marketing, Epoch Magia (Aquabeads, Sylvanian Families)

O contexto

Nem toda vantagem nasce nas redes sociais

Mesmo sendo líder no varejo de brinquedos, o forte da Ri Happy não parece estar nas redes sociais — o engajamento é relativamente baixo para o tamanho da marca2. Existe uma ideia de que todo negócio precisa transformar Instagram e TikTok na sua principal força de venda. Não necessariamente. Ao invés de tentar transformar rede social em sua maior vantagem, a empresa passou a explorar melhor o que já tinha: a loja.

293 lojas — entre unidades próprias e franquias
742 mil seguidores no Instagram, com engajamento baixo para o porte da marca
~10 mil visualizações médias por conteúdo no Instagram (vs. ~1.000 no TikTok)
Da loja ao ecossistema

Divertudo: menos estoque, mais tempo de loja

Em palestra de Thiago Rebello, CEO do Grupo Ri Happy, no São Paulo Innovation Week, a marca apresentou os primeiros resultados do Divertudo: uma grande brinquedoteca dentro da loja. O novo modelo reduziu o espaço destinado aos produtos — menos estoque, mais espaço para experiência. Mas vendeu mais. Nos projetos-piloto, as vendas por metro quadrado cresceram cerca de 40%, o tempo médio de permanência passou de 11 para 42 minutos, e o giro dos produtos cresceu 51%3.

A grande mudança para a marca foi o significado: um novo motivo para o cliente ir até a loja. Em algumas unidades, além dos espaços para brincar, a criança pode fazer a festa de aniversário ali — o presente, a festa e a recreação no mesmo lugar. A partir disso surgiram assinaturas mensais para uso dos espaços e clubes com benefícios: novas fontes de receita e, principalmente, novas razões para o cliente voltar.

Físico e digital não são times opostos

A loja como hub logístico

Em algumas lojas há espaços específicos para retirada de pedidos e coleta expressa de marketplaces. E a marca está no iFood. Na hora de uma festa ou de um presente esquecido, é mais fácil abrir um aplicativo que já está no celular. A discussão não é físico versus digital — é o que cada operação já tem (lojas, presença, relacionamento, serviço) e como transformar isso em vantagem que o digital sozinho não oferece.

"Brinquedos no iFood. Sim. E faz sentido."

Reflexão

O que a sua loja tem hoje que ainda não virou vantagem?

A Ri Happy não venceu o digital tentando ser um e-commerce melhor. Venceu olhando para o que já tinha — 293 lojas — e transformando isso em algo que nenhum marketplace consegue replicar. Todo negócio físico carrega uma vantagem parecida, ainda sem uso. A pergunta é encontrar qual é a sua e construir um modelo em torno dela.

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Fontes

[1] FecomercioSP, com base em dados do IBGE e MDIC; Pesquisa Mensal de Comércio/IBGE.

[2] Análise dos perfis oficiais da Ri Happy no Instagram e TikTok em 25 de agosto de 2026.

[3] SPIW — Retail Talks, painel "Do Brinquedo à Experiência", com Thiago Rebello, CEO do Grupo Ri Happy.

Observação: imagens originalmente capturadas durante a palestra "Do Brinquedo à Experiência", no Retail Talks, e adaptadas com IA para visualização frontal. Imagens meramente ilustrativas.

Autora
Nicole Simonato
Nicole Simonato
Fundadora — ThinkLab

Nicole Simonato é estrategista com mais de 15 anos de experiência em branding, comunicação e desenvolvimento de marcas, produtos e negócios. Fundadora da ThinkLab, atua na interseção entre inteligência de mercado e estratégia, apoiando empresas na construção de posicionamento, relevância e crescimento.

nicole.simonato@thinklab.cc
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